Em edição histórica, Festival de Teatro reúne 27 peças, Othon Bastos e Cacá Carvalho

 

Jales é o território. O teatro é o encontro. Um encontro capaz de conectar Canudos com a infância; a luta contra o racismo com Medeia. É com essa premissa que a Escola Livre de Teatro de Jales divulgou a programação do 12° Festival Nacional de Teatro de Jales, a ser realizado entre os dias 16 e 24 de outubro, em diversas localidades do município no interior paulista. E uma programação que se prenuncia como histórica.
Contando com a curadoria de Carla Marco, do Sesi Rio Preto, Jorge Vermelho, da Companhia Azul Celeste, e Murilo Jesus, do Sesc Rio Preto, o Festival Nacional de Teatro de Jales ampliou o escopo e, em nove dias de programação gratuita, terá 27 espetáculos em diferentes linguagens e formatos, dez espaços utilizados, sete ações formativas, cinco shows e quatro performances.
A possibilidade do encontro surge com a escolha de uma programação diversa e distinta, com a convergência de temas e localidades capaz de propiciar um território de encontros, escuta e transformação. Além de peças do estado de São Paulo, por exemplo, o festival terá apresentações de Ceará, Paraíba, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

A aposta em uma programação que mescla apresentações experimentais com nomes e peças consagrados também se revela como uma possibilidade de encontro. A abertura do festival, por exemplo, ficará por conta de Macacos, o cultuado espetáculo de Clayton Nascimento que aborda a estruturação do racismo e o apagamento das memórias e ancestralidades negras enraizadas no Brasil.

Jales também será palco da encenação de Restinga de Canudos, premiada peça da Cia do Tijolo que enxerga as ruínas de Canudos e mergulha nas águas do açude de Cocorobó em busca das histórias de suas gentes. Destaque ainda para a presença de Cacá Carvalho, um dos principais dramaturgos brasileiros em atividade, e sua peça A Próxima Estação. E, também, de Othon Bastos, ator fundamental da cena cultural brasileira desde os tempos de Glauber Rocha – atuou, por exemplo, em Deus e o Diabo na Terra do Sol. Aos 93 anos, Othon estreia seu primeiro monólogo em Não me Entrego, Não!

Para conectar assuntos distintos e ampliar a possibilidade dos encontros, a 12ª edição do Festival Nacional de Teatro de Jales propôs o tema Corporalidades do Hoje como eixo de sua curadoria.

“Olhar para as corporalidades do presente é olhar para os corpos que ocupam a cena e também para aqueles que, durante muito tempo, tiveram sua presença silenciada, invisibilizada ou afastada dos espaços de representação. São corpos diversos, plurais, periféricos, femininos, negros, racializados, LGBTQIAPN+ e dissidentes, que encontram na cena um espaço de existência, expressão e afirmação”, comenta Clayton Campos, diretor do festival e da Escola Livre de Teatro.

A entrada para os espetáculos realizados no Teatro Municipal e na Casa do Poeta será gratuita, mediante retirada antecipada de ingressos que estarão disponíveis a partir de 1º de outubro, na sede da Escola Livre de Teatro de Jales, localizada na Rua Sete, anexa ao Teatro Municipal.

Novidades do festival

A nova curadoria do festival também apostou em uma série de novidades que levará o evento muito além do teatro. Um dos exemplos é a criação da Estação Festival, um ponto de encontro entre público, artistas e organizadores na antiga estação ferroviária de Jales. A partir das 22h30, o local receberá shows, performances e experiências audiovisuais, além de opções gastronômicas e de bebidas.

Outro destaque é a criação do Cena Primeiro Sinal, uma mostra realizada com estudantes de Jales e região. “A mostra reúne seis espetáculos, em uma programação não competitiva, com participantes de diferentes idades e momentos de formação. Mais do que apresentar seus trabalhos, os estudantes são convidados a vivenciar o Festival, assistir a outros espetáculos, conhecer diferentes formas de fazer teatro e trocar experiências com artistas e grupos de outras regiões”, comenta Clayton Campos.

E, pela primeira vez em sua história, a crítica teatral integrará a programação do Festival Nacional de Teatro de Jales. Nesta edição, o evento contará com a participação dos críticos Kil Abreu e Dib Carneiro Neto, que acompanharão parte da programação e produzirão textos críticos sobre os trabalhos apresentados.

Corroborando sua aposta em promover encontros, o festival expandiu o território de atuação e será realizado em dez localidades: Teatro Municipal de Jales, Casa do Poeta e do Escritor, Praça Dr. Euphly Jalles, Praça João Mariano de Freitas (Praça do Jacaré), Praça Pedro Temponi, Fatec de Jales, New Corpus Escola de Dança, Cohab JACB I, Cine Jales e antiga estação ferroviária.

“Ao ocupar palcos, ruas, praças e outros espaços da cidade, essas corporalidades também deslocam o lugar tradicional da cena. O corpo deixa de ser apenas aquilo que está diante do público e passa a ser também território de memória, disputa, poesia, resistência, afeto e transformação”, finaliza Higor Arco, coordenador executivo do festival e da escola.

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Crédito das fotos: GG Bergamo

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