Novos ventos sopram sobre o 12° Festival Nacional de Teatro de Jales. Depois de onze edições, a Escola Livre de Teatro optou por incrementar ainda mais o evento. E trouxe para a organização Jorge Luiz Vermelho Moro, um dos nomes mais consagrados do teatro no estado de São Paulo – e, também, do Brasil.
Fundador e diretor da Companhia Azul Celeste desde 1989, ganhadora de mais de 280 prêmios teatrais, Jorge Vermelho dirigiu o Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, de São José do Rio Preto. Também foi coordenador do Festival Internacional de Teatro (FIT), um dos mais importantes do país.
E foi com base nessa ampla experiência que Jorge Vermelho sugeriu boas novidades ao festival, que será realizado entre os dias 16 e 24 de outubro em diversas localidades de Jales, com ingressos gratuitos.
Ao lado de Carla Marco, do Sesi Rio Preto, e Murilo Jesus, do Sesc Rio Preto, Jorge organizou uma curadoria com 27 espetáculos em diferentes linguagens e apostou em uma mescla de peças consagradas com textos mais experimentais.
Assim, ao longo de nove dias de festival, entre outras peças, será possível ver Macacos, o cultuado espetáculo de Clayton Nascimento que aborda a estruturação do racismo; Restinga de Canudos, a premiada peça da Cia do Tijolo sobre as ruínas de Canudos; A Próxima Estação, do consagrado ator e diretor Cacá Carvalho; e Não me Entrego, Não!, primeiro monólogo de Othon Bastos (confira a programação abaixo).
“Com esse convite para ser curador do festival, primeiramente busquei respeitar a estrutura e a história existentes. Busquei oferecer, sem restrições, minha experiência não só como curador, mas também com diretor executivo de festivais, criando uma visão estetizada da produção, onde cada detalhe compõe a cena”, explica Jorge Vermelho.
As mudanças implementadas por Jorge vão além da escolha das peças. Foi dele a ideia, por exemplo, de criar a Estação Festival, um ponto de encontro entre público, artistas e organizadores na antiga estação ferroviária de Jales. A partir das 22h30, o local receberá shows, performances e experiências audiovisuais, além de opções gastronômicas e de bebidas.
Também foi Jorge quem sugeriu trazer a crítica teatral à programação do festival. Nesta edição, o evento contará com a participação dos críticos Kil Abreu e Dib Carneiro Neto, que acompanharão parte da programação e produzirão análises sobre os trabalhos.
“Trouxe para Jales a experiência de descentralizar o festival, incentivar a crítica teatral, a criação de uma Mostra de obras embrionárias das escolas de teatro e, também, um espaço noturno pós apresentações, para que a reverberação aconteça neste espaço, também com programação artística”, explica o curador.
Apostando na descentralização, o festival também expandiu o território e será realizado em dez localidades: Teatro Municipal de Jales, Casa do Poeta e do Escritor, Praça Dr. Euphly Jalles, Praça João Mariano de Freitas (Praça do Jacaré), Praça Pedro Temponi, Fatec de Jales, New Corpus Escola de Dança, Cohab JACB I, Cine Jales e antiga estação ferroviária.
Urgências do hoje
Para conectar uma experiência descentralizada de evento, tanto na curadoria da programação quanto na escolha de atividades paralelas, a 12ª edição do festival propôs o tema Corporalidades do Hoje como eixo de sua curadoria. Trata-se, segundo Jorge, de uma tentativa de falar das urgências do hoje.
“Pensamos nas corporalidades que existem na pluralidade e nos aproximamos desta reflexão a partir das obras inscritas. Identificamos temas urgentes e contemplamos uma programação que consiga falar destas urgências. Para além dos espetáculos selecionados, temos também alguns convidados, que complementam esse pensamento”, comenta o curador, para depois complementar.
“O público do festival, que não é somente da cidade, pois pessoas da região, do estado e do Brasil acompanharão, terá um recorte possível acerca dessas discussões e reflexões que são tão urgentes nessa contemporaneidade”, afirma Jorge.
Assim, garante ele, o festival de Jales pode seguir com o propósito que carrega desde a primeira edição: de contribuir com o pensamento crítico e de enriquecer a experiência do público.
“Um festival transforma o ambiente a sua volta, amplia o pensamento crítico e, nessa função, o Festival Nacional de Teatro de Jales vem cumprindo com rigor esse papel, pois tem se mostrado um festival que busca dialogar com a cena contemporânea, sendo pensado e organizado por pessoas de teatro, o que enriquece ainda mais a experiência”, completa Jorge Vermelho.
Confira a programação para adultos:
DIA 16/10
MACACOS
Cia do Sal – Clayton Nascimento
São Paulo/SP
19:30 horas – Teatro Municipal
ESTAÇÃO FESTIVAL
Programação artística
22:30 horas
DIA 17/10
ASILI: O CORPO QUE AINDA GUARDA
eBUN Companhia de Teatro Negro – Araçatuba/SP
16:00 horas – Casa do Poeta
RESTINGA DE CANUDOS
Cia do Tijolo – São Paulo/SP
19:30 horas – Teatro Municipal
ESTAÇÃO FESTIVAL
Programação artística
22:30 horas
DIA 18/10
MASSAPÊ
Grupo Andaime Teatro – Piracicaba-SP
20:00 horas –Casa do Poeta
ESTAÇÃO FESTIVAL
Programação artística
22:30 horas
DIA 19/10
CURRA – TEMPEROS SOBRE MEDEIA
Contadores de Mentira – Mairiporã/SP
19:30 horas – Teatro Municipal
20/10
JARARACA(S)
Pavilhão da Magnólia – Fortaleza/CE
19:30 horas – Teatro Municipal
21/10
NORMAL MENTE
Dança-Libras – Fortaleza/CE
19:30 horas – Teatro Municipal
22/10
PENEIRAS CONTA NEGRITUDE
Coletivo Peneiras – Piracicaba/SP
19:30 horas – Teatro Municipal
23/10
NÃO ME ENTREGO, NÃO!
Othon Bastos – São Paulo/SP
19:30 horas – Teatro Municipal
ESTAÇÃO FESTIVAL
Programação artística
22:30 horas
24/10
A PRÓXIMA ESTAÇÃO
Cacá Carvalho – São Paulo/SP
20:30 horas –Teatro Municipal
ESTAÇÃO FESTIVAL
Programação artística
22:30 horas