CORPORALIDADES DO HOJE
O teatro começa no instante em que uma pessoa se coloca em presença diante da outra. Antes mesmo da palavra, da luz ou da construção da cena, existe a presença: território de memória, experiência, identidade e atravessamentos sociais que carregam marcas do tempo, da história e das relações que constituem o mundo contemporâneo. A 12ª edição do Festival Nacional de Teatro de Jales propõe, a partir do eixo “Corporalidades do Hoje”, um olhar para criações que evidenciam corpos historicamente invisibilizados, silenciados ou afastados dos espaços de representação. São corporalidades periféricas, femininas, negras, racializadas, LGBTQIAPN+, dissidentes e plurais, que transformam a cena em espaço de existência, disputa simbólica e afirmação. Mais do que tema, “Corporalidades do Hoje” é uma provocação sobre o presente: quais corpos podem ocupar os espaços de visibilidade? Quais narrativas ainda permanecem à margem? E de que maneira o teatro pode deslocar perspectivas, ampliar escutas e reinventar modos de convivência coletiva? Ao ocupar palcos, ruas, praças e espaços públicos, essas corporalidades não apenas se apresentam ao olhar do outro, mas reivindicam o direito de narrar suas próprias histórias, de produzir outras imagens de mundo e de instaurar novas formas de presença. O corpo torna-se linguagem política, poética e afetiva; um campo de resistência, encontro e transformação. A curadoria do festival parte dessa compreensão para construir uma programação comprometida com a diversidade estética e humana do teatro brasileiro contemporâneo. Nesse percurso, a cidade também se torna cena e território de convivência, aproximando artistas, públicos e comunidades em experiências que ultrapassam os limites tradicionais do palco e reafirmam o teatro como espaço de troca, escuta e pertencimento.
JALES É O TERRITÓRIO. O TEATRO É O ENCONTRO
Há 12 edições, o Festival Nacional de Teatro de Jales transforma a cidade em lugar de encontro entre artistas, públicos, grupos, linguagens e diferentes modos de fazer e pensar o teatro. Realizado pela Escola Livre de Teatro de Jales em parceria com instituições públicas e culturais, o Festival chega em 2026 reafirmando uma trajetória construída ao longo de 36 anos de atuação da Escola Livre de Teatro e seu compromisso com a difusão, a formação e o fortalecimento das artes cênicas no interior do país. Durante nove dias, Jales recebe espetáculos, artistas e ações que ocupam teatros, espaços alternativos, ruas, praças e outros territórios da cidade. Mais do que uma programação de espetáculos, o Festival é feito de encontros, de troca, de convivência e da aproximação entre quem faz teatro e quem vem para assistir. A programação reúne diferentes linguagens e públicos, articulando espetáculos, ações formativas, debates, oficinas, crítica teatral, performances, música, audiovisual e espaços de convivência. É um movimento que amplia o acesso à produção teatral contemporânea e cria oportunidades para que novos públicos e novos criadores se aproximem do teatro. Ao levar a cena para além dos espaços culturais tradicionais, o Festival entende a cidade como parte da experiência artística. O teatro circula, ocupa outros lugares, encontra outros públicos e chega também a comunidades que nem sempre têm acesso aos equipamentos culturais centrais. É nesse movimento que o Festival Nacional de Teatro de Jales se constrói: como um território de encontros, escuta e transformação, onde artistas e públicos compartilham experiências, diferentes narrativas encontram espaço e o teatro reafirma sua capacidade de criar presença, diálogo e pertencimento. Em sua 12ª edição, o Festival mantém sua vocação de aproximar o que muitas vezes está distante: o centro e a margem, o palco e a rua, o artista e o público, a experiência local e a produção teatral de diferentes regiões do país.
JORGE VERMELHO, CARLA MARCO E MURILO JESUS
CRÍTICA TEATRAL – OLHARES
A crítica teatral integra a programação do 12º Festival Nacional de Teatro de Jales como uma forma de ampliar o olhar sobre os espetáculos apresentados durante o evento. Nesta edição, o Festival contará com a participação dos críticos Kil Abreu e Dib Carneiro Neto, que acompanharão parte da programação e produzirão textos críticos sobre os trabalhos apresentados. Kil Abreu é jornalista, crítico, curador e pesquisador de teatro. É formado em Artes Cênicas pela USP e possui uma trajetória ligada à crítica, à curadoria e à formação teatral. Foi crítico da Folha de S.Paulo, diretor do Departamento de Teatros da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e coordenador da Escola Livre de Teatro de Santo André. Participou da curadoria de importantes festivais brasileiros e é editor do site Cena Aberta, dedicado ao teatro, à crítica e às políticas das artes. Dib Carneiro Neto é jornalista, dramaturgo e crítico teatral. Natural de São José do Rio Preto, iniciou sua trajetória na crítica de teatro infantil e foi editor-chefe do Caderno 2, de O Estado de S. Paulo. É criador do site e canal Pecinha É a Vovozinha, voltado principalmente ao teatro para crianças e jovens. Como dramaturgo, recebeu o Prêmio Shell por Salmo 91 e o Prêmio Jabuti pelo livro Imaginai! O Teatro de Gabriel Villela. A presença dos críticos contribui para registrar e colocar em circulação diferentes leituras sobre os espetáculos e sobre a produção teatral que estará em Jales durante o Festival.
DIB CARNEIRO NETO E KILL ABREU